sexta-feira, 18 de março de 2011

Uma questão de aparência

Praticante desportivo de competição desde 1986, em Rio Maior, tenho mais anos de prática desportiva, do que a "Cidade do Desporto" - ou será "Cidade das Instalações Desportivas"? -, tem de existência.

Regularmente, efectuo sessões de treino semanais em vários locais da cidade e do concelho, e acho perfeitamente natural - e ainda bem que assim acontece -, por estar equipado com roupa e calçado desportivo, não ser reconhecido, ou ser confundido com um qualquer atleta em estágio no Centro de Estágios da DESMOR, E.M.

No entanto, recentemente, aconteceu-me uma cena hilariante; ao terminar uma sessão de corrida, uma senhora aborda-me e travámos o seguinte diálogo:

Senhora - Olá! Nem o estava a reconhecer. Parecía-me mesmo um atleta.

Eu - Pois, de facto imito bem um atleta, não imito?

Senhora - Não era isso que eu queria dizer, com esse equipamento parecía-me um desses estrangeiros que andam por aí a treinar.

Eu - Ah, certo, compreendo.

4 comentários:

Pedro Brandão disse...

No meio da situação hilariante podemos deduzir da cultura desportiva do Povo Português... Atletas??? isso é coisa de estrangeiro.

Triatleta disse...

Em Rio Maior, durante 2-3 décadas, investiram-se milhões de euros em instalações desportivas, pensando-se (erradamente) que seria o suficiente para aparecerem milhares de praticantes desportivos e utlilizarem as ditas insfraestruturas com regularidade. Esqueceu-se o mentor deste projecto, que os praticantes desportivos não são cogumelos, ou se são, ao fim de três dias, podem desaparecer.
Faltou investimento no associativismo e na formação e contratação de técnicos desportivos, para desenvolverem trabalho a médio e longo prazo, num projecto global de estímulo à prática desportiva regular por parte das várias faixas etárias da população riomaiorense.

João Correia disse...

Olá, Pedro!
A questão que afloras, não sendo esta a primeira vez, já que aqui e ali vais tocando nesse ponto, da desproporcionalidade entre o equipamento e o praticante em Rio Maior, é interessante e faz-nos pensar. Não sei qual a genuína intenção na base da infraestruturação da região em instalações desportivas. Provavelmente, terá sido uma má aposta se se verifica que elas andam às moscas. Por outro lado, poderão ter sido equacionadas para o mercado estrangeiro, o que não me faz comichão nenhuma, mas alguma coisa deve ter falhado no marketing internaconal. Se o objectivo era incentivar a prática desportiva na região, pergunto se não terá sido sobre-dimensionado, face a densidade populacional da região, mesmo considerando o estimulo à formação. Pelo que julgo saber, Rio Maior concelho tem cerca de 20.000 habitantes. Destes, cerca de 14.000 situam-se entre os 25 e os 65 e mais anos. Estou-me a lembrar de Odivelas (na prática, a minha cidade), cujo concelho supera os 100.000 e onde dava imenso jeito ter esse equipamento desportivo.


Grande abraço.

Triatleta disse...

JC,

As instalações desportivas, sobretudo durante o ano lectivo, quando há estágios e competições, são muito utilizadas.

No entanto, há duas questões essenciais:
- Rio Maior, não e apenas a cidade, mas sim todo um Concelho;
- se excluirmos, os alunos das escolas (Básicas, Secundária, Profissional e Superior de Desporto) e os atletas em estágio, a percentagem de praticantes desportivos regulares (aprendizagem, recreação, lazer, competição, saúde)entre e toda a população do Concelho de Rio Maior, ainda é muito reduzida para que se apelide de "Cidade do Desporto". Esta "bandeira" é e continua a ser marketing político, mas não corresponde à realidade diária. E também ainda não vejo um empenho total e global para mudar este panorama, ou seja, existem projectos, programas, clubes e associações, mas precisava de ser tudo muito mais bem articulado, para rentabilizar recursos.

Mas eu sou apenas e só um professor de Educação Física sem filiação partidária e sem interesses políticos, razões mais que suficientes para ser "impedido" de dar o meu contributo à minha terra.