Estaria a mentir se dissesse que não gostei da prova na sua globalidade. Gostei, e gostei muito. No essencial, não faltou nada. Temos tão poucas provas nesta distância em Portugal , e ainda para mais, o Triatlo Longo de Lisboa é uma prova internacional, com muitos participantes, num local fantástico, sem trânsito no segmento de ciclismo e, nesta edição, até o estado do tempo foi ótimo. Por tudo isto, desejo que a prova se mantenha, mesmo que eu não volte a participar. Parece um contra senso, mas eu explico.
Sabemos que tudo tem custos, especialmente um evento localizado nesta zona geográfica e que a organização do evento pretende ter lucro, mas já participei em centenas de provas, nas quais por um valor bem menor de inscrição, a organização e os patrocinadores do evento, presenteiam os atletas de forma igual ou substancialmente melhor. Por outro lado, se a prova contasse para um ranking ou campeonato individual e/ou de clubes da FTP e com preços de inscrição ajustados para os triatletas filiados, tenho a certeza que o número de triatletas portugueses na classificação final seria maior. Em Montegordo e S.Jacinto as inscrições custam 25€ para realizar as mesmas distâncias, mas como fazem parte do C.N. de Clubes e Individual, o número de triatletas filiados na FTP presentes na prova é superior ao de Lisboa. Fica a provocação bem intencionada, para que na edição de 2013, o Triatlo Internacional de Lisboa tenha, pelo menos, 200 participantes na linha de chegada, e se possível, que eu possa estar incluído.
Uma especial palavra de reconhecimento para todos os participantes que concluíram a prova. E fica mais uma vez provado que não é necessário ser-se super atleta, nem estar super bem preparado para concluir um desafio com estas características: querer, é poder!
Para o público que incentivou os atletas a cada passagem fica o meu aplauso. Por poucos que sejam os aplausos e as palavras de incentivo, dão-nos ânimo e obrigam-nos a reagir, seja de que forma for.
Quanto ao meu desempenho, ao contrário das edições de 2010 e 2011, o volume de treino até esta prova foi menor. Mas aproveitando a base de treino das épocas anteriores, e também por falta de paciência para fazer treinos longos em qualquer um dos segmentos, nesta época, apostei num aumento da qualidade do treino, ou seja, menos tempo de treino em cada sessão e mais períodos de trabalho em zonas de treino com maior intensidade de esforço, especialmente no segmento de ciclismo. A verdade é que esse trabalho a solo, sem atingir intensidades de outros tempos, tem-se mostrado muito proveitoso em todas as provas que tenho feito ao longo desta época, independentemente da distância a percorrer. E não esquecer que este ano já vou atingir a marca 38 na escala cronológica. Por isso, fico feliz por ainda ter paciência para treinar, fazer provas e obter uns tempos finais com médias de deslocamento muito interessantes.
Por outro lado, os muitos anos que levo nesta vida a apanhar empenos sucessivos são bons conselheiros para fazer uma gestão criteriosa das reservas energéticas do início até final da prova. Aliás, antes da partida confidenciei ao Miguel Torres que, para mim, se a prova for bem gerida, só começa a doer a sério a partir dos 10 quilómetros da corrida a pé. Porque se for mal gerida, o sofrimento será precoce e bem maior.
Com uma natação ao meu habitual péssimo nível (perdi quase 10 minutos para o primeiro atleta), saí da água com disposição para fazer o que é habitual: recuperar posições! Pela primeira vez, mais do que à distância que os regulamentos permitem, marquei o meu andamento pelo de um triatleta escocês, visto que a intensidade do esforço era compatível com o ritmo do referido atleta, e desta forma, melhorei 3 minutos em relação à edição de 2011. Cumprindo escrupulosamente o plano nutricional para a prova (1 barra Gold Nutrition Endurance, 3 géis Gold Nutrition Extreme, 1 bidão com Gold Drink Premium, 1 bidão com água), comendo e bebendo a cada 15-20 minutos, entrei no segmento de corrida com energia, sem excessivo desgaste físico e muito confiante para concluir a prova como eu gosto, ou seja, em ritmo progressivo, com uma última volta a registar o melhor parcial do total de quatro.
Nunca me tinha acontecido, pelo menos de forma tão marcante, controlar o meu ritmo de corrida e o posicionamento em prova em função...da primeira triatleta feminina. Mas foi verdade, em todos os retornos, verificava a distância que nos separava e aproveitava esse facto para mete um pouco mais de pressão em mim próprio. Não que tivesse problema em ser ultrapassado por uma triatleta com muito bom nível, como o caso da inglesa Alisson Rowatt, mas foi uma forma diferente de não amolecer durante a corrida e com isso até ultrapassei mais alguns concorrentes masculinos. E 24'22" após o vencedor, José Estrangeiro, cheguei ao final da prova, naturalmente cansado, mas muito feliz por retirar 6 minutos ao tempo do ano anterior.
a) Natação (1900 m): 0:33:52, média de 1'45"/100m, 119º parcial;
b) Ciclismo (90 kms), 2:23:45, média de 36.1 km/h,18º parcial;
c) Corrida (21.4 kms): 1:24:49, média de 4'05"/km, 13º parcial;
d) Tempo final: 4:25:43 ;
b) Ciclismo (90 kms), 2:23:45, média de 36.1 km/h,18º parcial;
c) Corrida (21.4 kms): 1:24:49, média de 4'05"/km, 13º parcial;
d) Tempo final: 4:25:43 ;
e) 18º Lugar absoluto (378 triatletas na linha de partida e 361 triatletas na linha de meta);
f) 5º Lugar no escalão 35-39 anos (83 triatletas);
f) 5º Lugar no escalão 35-39 anos (83 triatletas);
g) 8º Português na classificação absoluta.
Próxima competição:
Triatlo de Montemo-o-Velho










