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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Grande Marco, pobre país

Na sequência da partilha de uma notícia, numa rede social, acerca do mais recente recorde nacional de arremesso do peso, por parte do atleta Marco Fortes, cuja marca de 20.89 metros, coloca o atleta português entre os melhores lançadores mundiais do ano, surge então um comentário infeliz mas esperado, espelhando a persistente pobreza da cultura portuguesa, e provando que é mais fácil recordar uma infeliz afirmação de um atleta, do que elogiar os seus feitos alcançados.

Uma das capacidades - que poderá ser transformada em virtude -, do ser humano, enquanto animal racional, é a de poder optar por não repetir os erros e as parvoíces de outros. Mas isto é só para quem está atento e quer evoluir.

Porém, pelos exemplos que vemos frequentemente no quotidiano, e quando não existem outros argumentos válidos, torna-se mais fácil e apetecível ter sempre na ponta da língua ou dos dedos, algo que provoque sucesso social imediato, perpetuando-se assim uma piada gasta e de mau gosto, baseada numa afirmação infeliz e inocente, mas honesta, por parte do nosso melhor lançador de peso de sempre, virando alvo de chacota e objecto de críticas fáceis e fúteis por parte dos especialistas em lançamento da casca de tremoço a partir da posição de deitado no sofá.

Portanto, há os que são atletas de grande nível - como é o caso do Marco Fortes -, há os que tentam ser simples atletas, pelo prazer da prática desportiva, e depois, há essa fantástica, insuspeita e reputadíssima classe de cidadãos que, para todo o sempre, vão guardar a frustração e o comodismo de nunca terem ocupado vaga em qualquer das duas primeiras categorias, algo que os promove automaticamente ao topo da hierarquia do opinanço fácil, vazio e boçal, como se percebessem muito do assunto.

Força Portugal!