Especialmente dedicado a todos os meus colegas de profissão das restantes disciplinas, aos alunos e aos pais e encarregados de educação.Bom ano de 2016, com mais e melhor atividade física!
Os resultados destes estudos científicos demonstram a contribuição relevante da aptidão física dos estudantes para a cognição (capacidade de aquisição de conhecimento). A influência positiva da atividade física na capacidade cognitiva dos estudantes é consubstanciada no desenvolvimento do seu sistema nervoso, aumento do número de sinapses neuronais (trocas de informação entre as células do sistema nervoso), aumento na produção de noradrenalina e endorfinas, que permitem reduzir o stress e melhorar o estado de humor, e no aumento da plasticidade cerebral (capacidade de raciocínio).
A nível psicológico, a aptidão física promove a melhoria do funcionamento cognitivo relacionado com a atenção e com a memória de trabalho, reduz a ansiedade e aumenta a autoestima, as quais também ajudam a explicar um melhor desempenho académico. Juntamente com estes benefícios, a atividade física e a aptidão física contribuem, ainda, para um melhor comportamento dos alunos em contexto de sala de aula, aumentando assim a probabilidade de maior concentração e melhores resultados escolares.
Estes resultados devem influenciar significativamente o modo como os pais, professores e políticos tomam decisões e influenciam a vida dos estudantes. Uma das consequências imediatas é que a Educação Física seja obrigatória a partir do Ensino Pré-escolar, criando hábitos de atividade física diária desde cedo na população. Os pais e políticos devem dar, também, maior importância ao desporto extracurricular (Desporto Escolar) e não encará-lo somente como uma atividade de tempos livres, em que o aluno falta nas vésperas dos testes, ou desiste no 3º período, sob o racional de melhorar o rendimento académico - é exatamente o contrário!
Para além das implicações negativas no desempenho académico, a não consideração destas premissas à data de hoje faz com que, a maior parte das crianças e adolescentes portugueses não tenha ainda atingido a recomendação de atividade física e, em consequência, apresente uma aptidão cardiorrespiratória abaixo do nível saudável para a sua idade e sexo.
Sandra Martins é Professora Auxiliar da Universidade Europeia e